quarta-feira, 24 de junho de 2009

A lista de Schindler


Não é só mais um filme feito para lembrar o sofrimento judeu nas mãos dos nazistas. Seu conteúdo é repleto de senas chocantes como qualquer outro desse tema, porém é preciso analisá-lo sobre uma outra perspectiva, fazer uma análise humanística detalhada procurando balancear o significado das atitudes do protagonista e relacioná-las ao conflito pessoal entre ganância e solidariedade, que marca toda a trajetória da personagem, e ainda ao contexto de guerra daquele período.

Em plena Segunda Guerra Mundial, Schindler, Alemão e membro do partido nazista, identifica uma forma de ganhar dinheiro se aproveitando das necessidades que a guerra traz. Nesse sentido decide abrir uma fábrica de produção de panelas e outros utensílios relacionados à guerra para vender ao exercido alemão. O que torna essa proposta tão chamativa é o fato que de ele pretende usar mão-de-obra judia que, naquele momento, tem um valor agregado quase que insignificante mesmo para os cargos especializados.

Chegamos então à primeira questão que deve ser analisada cuidadosamente: explorar a mão de obra de um povo de forma quase escrava aproveitando-se da situação a qual esse povo foi submetido não é, nem de longe, uma atitude plausível. Em circunstâncias normais rotularíamos tais atitudes como desumanas, cruéis e etc. O que as tornam legitimas é que naquele momento era preciso dar uma utilidade para os judeus, para que eles não fossem assassinados pelo regime nazista.

Mas isso não justificaria pagar baixos salários e oferecer péssimas condições de trabalho certo? Como resposta, convido-os a uma reflexão: Naquele momento a condição de judeu era ideologicamente de inferioridade, e a outra opção era os mesmos moldes de trabalho nos campos de concentração, onde não era oferecida qualquer remuneração e o pagamento era considerado como o direito a vida.

Com o desenrolar do filme notamos que o cerco em torno dos judeus piora a cada cena, e a percepção é de que a qualquer momento todos vão ser levados para serem mortos nos campos de concentração. Quando chegam as ordens de eliminar todos os judeus possíveis e as medidas diplomáticas tomadas por Schindler não surtem mais efeito para a conservação da vida dos seus operários, este gasta toda a sua fortuna em subornos para comprar o direito de manter àqueles trabalhando.

E essa é a segunda e mais importante questão: ao abrir mão da ganância e de toda ideologia nazista para salvar os judeus, nossa personagem dá uma lição de humanização que extrapola a questão do sofrimento judeu. Olhando criticamente podemos traçar um paralelo com alguns problemas sociais atuais como a marginalização e péssimas condições de vida nas favelas, o abuso do poder pelas policias e a própria questão do preconceito com minorias étnicas e religiosas. A humanização está expressa nessa comparação, na necessidade de qualidade de vida que devemos atentar aos nossos desfavorecidos.

É um filme antigo que nos traz uma reflexão tão atual quanto à crise econômica global, pois em um mundo onde se capitaliza os próprios sentimentos, o drama traz a necessidade de recuperação de valores que vão alem de uma ideologia. É como um grito para que comecemos a agir como seres “humanos” em um mundo globalizado e evoluído tecnologicamente onde ainda há miséria e fome.

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